Venda de produtos com validade próxima do vencimento

Por Ricardo Ramos | 27 de fevereiro de 2022

Reflexo não só da queda da renda da população, o aumento da demanda por produtos cujos prazos de validade estão próximos do vencimento tem chamado atenção.

A lógica é simples. As redes de varejo oferecem descontos atrativos em produtos cuja validade está para acabar como estratégia para reduzir perdas de rentabilidade. O item que sairia da prateleira e seria perdido vai para a despensa de famílias. Dessa forma, evita-se desperdício e garante-se uma margem mínima de lucro. Por sua vez, o cliente fica satisfeito por pagar menos em algo que está em ótimas condições de consumo. A prática é muito positiva, ainda mais se a considerarmos como parte de um modelo de gestão sustentável.

No entanto, o modelo de negócio não é novo. Dar descontos para produtos que serão perdidos é até comum. Mas a forma de lidar com isso evoluiu. Deixou de ser apenas uma tática de alguns estabelecimentos para se transformar, em alguns casos, em modelo de negócio.

Há anos existem supermercados conhecidos pelas indústrias como Fifos, sigla em inglês que significa first in, first out (o primeiro que entra, o primeiro que sai). São, normalmente, estabelecimentos pequenos localizados em vias comerciais centrais e mais populares. Eles negociam a compra com descontos de produtos que os fabricantes precisam desovar o mais rapidamente possível e revendem aos consumidores finais com preços baixos.

A mola propulsora dessa onda nos últimos anos é conhecida pelo nome de inflação. Segundo dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), a renda média do brasileiro em 2021 foi de R$ 2.449, a menor desde 2012. A inflação dos últimos 12 meses calculada pelo IBGE e divulgada no final de janeiro ficou na casa dos 10,20%. E a taxa de desemprego, medido pelo mesmo instituto, está em 12,1%. Assim, o resultado é que as pessoas mudam seus costumes e buscam alternativas para comprar itens de primeira necessidade como alimentos, remédios, produtos de higiene e limpeza, entre outros.

Essas mudanças criaram oportunidades de negócios para um número maior de empreendedores. E a tecnologia fez surgir plataformas na Internet atuando nos mesmos moldes desses pequenos comércios físicos. Além da ajuda em vender itens que seriam perdidos, esses aplicativos oferecem algumas vantagens. Vamos pegar o varejo como exemplo. Uma pequena loja não tem muito poder de barganha junto ao distribuidor ou à indústria. Por meio do marketplace, a situação se inverte. Isso porque a negociação envolve volumes maiores, já que vários comerciantes são atendidos ao mesmo tempo.

Outra vantagem é que tais plataformas contam com um modelo ágil e de baixo custo para divulgação das promoções, com alcance bem maior do que uma loja física tem. Além disso, o processo logístico é bem estruturado para realizar entregas rápidas. E como não existe regra que obrigue a comercialização apenas de produtos com prazo de validade próximo do fim, a prática serve de chamariz para que o cliente conheça o marketplace e as lojas parceiras, e passe a comprar outros produtos aumentando o tíquete de vendas. Sem contar as questões de cunho ambiental e social. Menos desperdício e acessibilidade das famílias de menor renda a produtos que elas necessitam.

Portanto, tanto e-commerce quanto varejistas podem otimizar muito essa prática com o uso da inteligência artificial (IA). Por meio dela, é possível fazer a precificação correta dos produtos e uma gestão de estoque mais eficiente. Pontos importantes em uma situação que exige agilidade no processo e preços adequados para atrair os clientes, gerando rentabilidade em itens que pareciam perdidos.

Em suma, com a IA é possível otimizar vendas ao longo de todo o ciclo de produtos sazonais. Essa tecnologia emprega modelos matemáticos na previsão da demanda e no ajuste de preços, operando ativamente no equilíbrio da cobertura do estoque.

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